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Proibição de celulares em escolas estimula a frequência em bibliotecas no Rio
A nova lei que proibiu o uso de celulares em escolas do Rio de Janeiro já começa a mostrar seus efeitos — e de forma surpreendentemente positiva. Dois tradicionais colégios da Zona Sul carioca, o Centro Educacional da Lagoa (CEL) e o Franco-Brasileiro, registraram um aumento significativo na frequência às bibliotecas escolares.
Segundo a bibliotecária Marília Silva, do CEL, o crescimento foi de 40% em relação ao ano passado, quando os celulares ainda circulavam livremente pelos corredores e salas. “Os alunos agora procuram a biblioteca para ler, jogar ou fazer atividades artísticas”, afirma ela.
A mudança de comportamento dos estudantes é reflexo direto da lei 15.100, de 2025, que proíbe o uso de celulares no ambiente escolar em todo o estado do Rio de Janeiro. A medida, inicialmente vista por muitos como polêmica, tem incentivado os jovens a redescobrirem os livros, os jogos analógicos e o convívio offline.
🌍 Repercussão internacional
A notícia chegou longe. Nesta semana, em entrevista à Folha de S.Paulo, o psicólogo e escritor norte-americano Jonathan Haidt, autor do best-seller A geração ansiosa (Companhia das Letras), elogiou a nova lei brasileira.
“A lei do Brasil é uma das melhores — o dia inteiro sem dispositivos eletrônicos com internet nas escolas”, disse Haidt à repórter Laura Mattos.
O livro de Haidt se tornou uma referência global ao discutir os efeitos negativos do uso excessivo de celulares e redes sociais por crianças e adolescentes, abordando impactos na saúde mental, no sono, na concentração e nas relações sociais.
📵 Desconectar para se reconectar
A experiência dos colégios cariocas sugere que, ao retirar os celulares de cena, os alunos não apenas se concentram mais, como também se engajam com novas (e antigas) formas de aprender e se divertir. E as bibliotecas — muitas vezes esquecidas — voltam a ser protagonistas no ambiente escolar.
Se antes os intervalos eram tomados por telas e redes sociais, agora são preenchidos por livros, conversas, jogos de tabuleiro e até pintura. Um retorno ao essencial que parece ter muito a ensinar sobre o que realmente importa no processo de formação dos jovens.